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28/07/2021
Prefeita de Miches, na República Dominicana, fala das experiências como mulher negra e latino-americana
“Temos um passado de escravidão, um passado de muitos sacrifícios para chegar e mostrar que também podemos ocupar cargos importantes, mudando mentalidades e mostrando que somos todos importantes e que somos iguais, independentemente da cor da pele e independentemente do sexo, seja homem ou mulher”. A fala é da prefeita de Miches, República Dominicana, Luz María Mercedes. A gestora conversou com a Confederação Nacional de Municípios (CNM) e compartilhou as experiências de ser uma mulher preta chefe do executivo em um país latino-americano.
Luz María Mercedes é mais uma das convidadas para a semana especial em comemoração ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, Latina e Caribenha, celebrado aqui no Brasil no último dia 25 de julho. Liderada pelo Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), a iniciativa buscou mulheres negras que são referências na política brasileira e latino-americana para entender os principais desafios delas.
A CNM e o MMM destacam que o dia 25 de julho foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data surgiu a partir do 1º Encontro de Mulheres Afro Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, localizada no Caribe.
Na conversa com a Confederação, a prefeita Luz María relatou como foi o início da vida política em 2009, sem nenhum cargo político eletivo, e como conseguiu se eleger vereadora em 2016. E em 2020, como prefeita. Por conta do passado escravagista do país, a gestora reforçou que a participação de pessoas negras na política não é mais vista como um desafio, mas o fato de ser mulher continua sendo um desafio enorme. “Na República Dominicana, por ser um país praticamente mulato, mestiço, aqui o maior desafio não tem sido tanto ser negra, mas meu desafio aqui tem sido mais forte é ser mulher”, contou Luz María.
Participação política
Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), apesar dos avanços observados nos processos organizacionais das mulheres afrodescendentes nas últimas décadas e embora elas ocupem importantes espaços de participação nas organizações da sociedade civil, onde solidificaram fortes lideranças, ainda continuam sem uma representação suficiente nas instâncias de poder político, seja eletivo ou por designação, estando sub-representadas não só nos níveis de direção dos partidos políticos, mas também nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado, nos âmbitos Nacional e subnacional.
A primeira mulher negra a conquistar um cargo no executivo federal na América Latina e Caribe foi Epsy Campbell Barr, eleita ao cargo de vice-presidente nas eleições do ano 2018 na Costa Rica.
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