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06/04/2018
Brasil ocupa o último lugar na América no ranking de atuação de mulheres na política
Nos últimos anos o mundo vem vivenciado uma revolução feminina em busca de uma maior igualdade entre os gêneros, em especial em esferas de poder historicamente dominada por homens, como a política. No Brasil a jornada pela busca de uma maior igualdade será longa, ocupando a 161ª posição de um ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder executivo. O país está atrás de todos os outros países do continente americano.
Em primeiro lugar no levantamento, que analisou a evolução histórica da participação feminina no poder Executivo de 1940 até hoje, está a Nova Zelândia, seguida do Chile e Reino Unido. Os números são do Projeto Mulheres Inspiradoras, que atua pela participação feminina nos espaços de poder.
Como fontes para a busca dos dados, foram checadas informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Organizações das Nações Unidas (ONU) e Banco Mundial. A pesquisa apontou, por exemplo, que dos 186 países ranqueados, somente 17 têm mulheres como chefes de governo atualmente. Isso significa que hoje, cerca de 92% da população mundial é governada por homens.
Na realidade brasileira, a participação feminina nomeada para cargos de alto escalão, num período de dez anos, apresentou crescimento de 4,5%. Apesar disso, atualmente apenas uma mulher é ministra no país, a Advogada Geral da União (AGU) Grace Maria Mendonça. Enquanto isso, a média mundial de mulheres no primeiro escalão chega a 18%.
Realidade Municipal
O exemplo mais recente do quanto os partidos não estão atentos à disparidade de gênero na política são os números das últimas eleições municipais. Em 2016, cerca de 68% das cidades sequer tiveram uma candidata à Prefeitura. O reflexo disso é que hoje, a cada dez Municípios, somente um é administrado por uma mulher. Elas representam menos de 12% dos gestores municipais.
No recorte por raça, a disparidade é ainda maior: 61% dos prefeitos eleitos foram homens brancos; apenas 1,5% homens negros e menos de 1% mulheres negras. Já no ranking por região, o Nordeste é o que mais tem presença feminina no poder executivo: 16%, quatro pontos percentuais acima da média nacional.
O Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro que mais tem mulheres prefeitas. O Estado também foi o primeiro a eleger uma mulher a cargo de prefeita. Alzira Soriano foi a primeira mulher prefeita da América Latina, em um período em que, no Brasil, as mulheres ainda não possuíam o direito a voto. Alzira tomou posse no cargo em 1º de janeiro de 1929, quando disputou as eleições para a prefeitura de Lajes, cidade do interior do Rio Grande do Norte, pelo Partido Republicano, e venceu com 60% dos votos.
MMM na XXI Marcha
Durante a XXI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM) vai lançar uma linha do tempo baseada em uma pesquisa. Esta localizou todas as prefeitas eleitas no Brasil desde 1928, eleições que elegeram Alzira. O material é um chamado para o Museu Municipalista que será temático no ano de 2019 em comemoração aos 90 anos de mulheres na gestão municipal brasileira.
Com informações do El Pais
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