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03/04/2020
Boas práticas: Municípios adaptam rotina da área cultural e usam internet para aulas
A gestão municipal de cultura está mobilizada em busca de alternativas durante o enfrentamento ao novo coronavírus (Covid-19), que inclui medidas de isolamento social. Para diminuir o risco de transmissão e ainda minimizar os impactos negativos para a população e o setor cultural local, os gestores se adaptam e atuam com diferentes ferramentas. Neste período, a área técnica de Cultura da Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgará boas práticas municipais que estão contribuindo para superar os atuais desafios enfrentados no setor cultural.
No Município gaúcho de Carlos Barbosa (RS), por exemplo, a Fundação Municipal de Cultura e Arte, que financia atividades de uma orquestra e três corais, utiliza a internet para não deixar que o ensino da música seja paralisado diante da pandemia da Covid-19. Alunos e professores se encontram virtualmente e dão andamento ao planejamento de aulas. Pelo WhatsApp, os professores enviam aos alunos as partituras ou os cantos e, por meio do Skype e do Zoom, acontecem os encontros musicais semanalmente.
O grupo de professores e alunos é composto por membros da Orquestra Municipal de Carlos Barbosa, da Associação Cultural Grupo Vocal Tramavoz, do Coral Carlos Barbosa de Cultura e Arte e do Instituto Cultural dos Meninos Cantores e Amigos de Carlos Barbosa. Para o presidente da fundação, Dayan Santarosa, este é um momento importante para manter a cultura. “A iniciativa também é uma forma dos alunos e professores permanecerem em casa com uma atividade interativa e lúdica”, acrescenta.
A aluna da Orquestra Municipal de Carlos Barbosa, Cíntia Borsoi Benedetti, também salienta a importância da medida tomada pelo Município e o papel da arte para as pessoas em meio ao isolamento social. “Eu acho muito relevante a continuação das aulas. Inclusive adorei a iniciativa de tê-las nesse formato on-line. Assim, a gente continua com o conteúdo e não se desmotiva. Acho que para muitos de nós é uma grande sorte ter essa oportunidade de aprender música de graça. Precisamos continuar investindo em arte sempre. Afinal, é ela que está nos salvando nesses dias tão difíceis de isolamento”, resume.
Estudante na mesma orquestra, Getúlio Girelli, por sua vez, sugere que a experiência pode ser mantida no futuro de forma complementar às aulas presenciais: “O sistema de aulas virtuais se mostrou muito eficiente. Todos nós conseguimos acompanhar a matéria, evoluir, aprender novos conceitos. Acho que é uma proposta que deve ser avaliada como permanente.”
Salto Veloso (SC)
Medida semelhante foi adotada pelo Departamento de Cultura do Município de Salto Veloso, em Santa Catarina (SC), que, desde 2010, desenvolve o projeto Oficinas Permanentes de Artes. Em 2020, até o início da pandemia, a iniciativa era realizada presencialmente na Casa da Cultura Abel Abati. O projeto oferta - a 320 alunos de diversas idades - oficinas de: artesanato, flauta doce, violão popular, teclado, acordeon, bateria, contrabaixo, banda musical, fanfarra, coral infantil e juvenil, dança de salão, dança infantil, hip hop infantil e juvenil, dança contemporânea, dança criativa e popular, jazz dance, desenho, pintura em tela juvenil e adulto e teatro infantil, juvenil e adulto.
Além dessa iniciativa, o departamento cede profissional de regência para o coral da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Salto Veloso e financia a Associação Coral de Salto Veloso. Mas, diante do risco de transmissão do novo coronavírus e a partir do Decreto Municipal 26/2020, a prefeitura permitiu que as oficinas e as aulas dos corais fossem ministradas em ambiente virtual.
“Estamos utilizando principalmente o WhatsApp. Cada oficina já tinha um grupo”, conta a diretora do Departamento Municipal de Cultura, Célia Regina de Bortoli. Assim, cada professor adota uma estratégia. “O professor de dança manda um vídeo de aquecimento ou da coreografia que estavam trabalhando e pede para os alunos gravarem a dança em casa e mandar para ele. O professor de pintura em tela já tinha um tema, que é Portinari, então mandou vídeos sobre esse artista e deu uma tarefa”, exemplifica.
As oficinas de violão também ganharam o auxílio do YouTube no Município, e o coral infantil ensaia, cada um na sua casa, uma música composta pelo professor para gravarem à distância e lançá-la. A partir de abril, o Departamento vai obter uma conta no Zoom para que os professores possam marcar também aulas virtuais em grupo, complementa a diretora.
Sobre a nova experiência, a maestrina da Associação Coral de Salto Veloso, Maria Eloiza Otto, demonstra entusiasmo. “Esse período de quarentena tem trazido vários desafios para nós professores, e, ao mesmo tempo, oportunidades. Oportunidades de se expor a novas formas de trabalho, de ampliar o uso da tecnologia e da internet para o nosso trabalho de ensino. Eu acho que apesar da dificuldade, da apreensão que todos estamos no momento, quando isso tudo passar, vai ter um ganho, no sentido de ampliar os nossos horizontes e as possibilidades de materiais que a gente pode usar nas aulas”, opina.
Como o seu Município está agindo durante a pandemia? Compartilhe com a área técnica de Cultura da CNM as medidas que a gestão pública municipal de cultura está tomando para superar os atuais desafios enfrentados pelo setor cultural.
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