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10/10/2019
Primeira mesa técnica do Seminário de Governança para Turismo valoriza números e boas práticas
Após a cerimônia de abertura do II Seminário Nacional de Governança para o Turismo: desafio para o desenvolvimento sustentável nos Municípios – que contou com a presença de autoridades estaduais e federais -, chegou a vez de os gestores municipais assistirem às apresentações e discussões técnicas. Os participantes aproveitarem a interlocução com representantes de outras esferas de governo e setores para falar das políticas públicas para fomento do turismo em Unidades de Conservações (UCs) e seus mais de 1.700 Municípios de acesso.
A palestra magna do presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Gilson Machado Neto, abriu essa parte da programação ainda pela manhã. Ele compartilhou a visão do governo federal e do órgão sobre o setor e listou as próximas ações. “Aumentar investimentos; isentar visto para indianos e chineses; tirar as barreiras rodoviárias e aéreas entre os países do Mercosul, como é na União Europeia; e rever legislação que diz respeito aos cruzeiros marítimos. Para isso, precisamos de vontade política e do Congresso Nacional”, reconheceu.
Durante a tarde, prefeituras e secretarias municipais compartilharam boas práticas e especialistas falaram das dificuldades. Mário Nascimento, presidente da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM) e consultor da CNM, mediou a conversa. “Viemos apoiar a agenda governamental para o turismo”, resumiu. Completou o entendimento o diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Marcos Aurélio Venâncio. “Governança não se faz sozinha, se faz entre vários órgãos”.
Preservar para desenvolverVenâncio apresentou números e relembrou histórico do ICMBio, cuja primeira missão é proteger o patrimônio natural através da gestão de 334 UCs federais, terrestres e marinhas. “Em 2018, as unidades de Conservação receberam 12,3 milhões de visitas e geraram 190 mil empregos. Os visitantes gastaram R$ 5,8 bilhões. O Brasil é uma terra abençoada e podemos sim fomentar turismo de sucesso, garantindo preservação da natureza”, garantiu. Segundo ele, o objetivo da exploração sustentável é tornar possível que as atuais e as futuras gerações usufruam dos bens naturais. “Em um evento dessa magnitude, quando se fala de governança, é importante ouvir que é possível compatibilizar preservação ambiental com geração de renda”.
Para o deputado federal Herculano Passos, a exploração das UCs deve ocorrer em parceria com a iniciativa privada, de forma organizada e preservada para “gerar economia para os Municípios”. Segundo o parlamentar, para esses casos, o governo não deve ficar responsável pela gestão, mas apenas pela normatização, fiscalização e cobrança de impostos.
Já o auditor público externo aposentado do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) Valtuir Nunes fez uma apresentação didática sobre governança. Ele falou das novidades do setor, principalmente na oferta de serviços, como hospedagem e transporte. “Hoje as pessoas fazem reserva no Airbnb, pedem nos aplicativos os meios para se locomover. O turismo está se utilizando da tecnologia, mas o governo não. O Estado precisa se atualizar”. Nesse sentido, para fazer com que a ação pública tenha impacto nas pessoas, ele explica que é preciso não só planejar e executar, como também acompanhar os resultados.
Políticas locais
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas, Rafael Brito, falou do programa do governo estadual e reforçou que ações de outras pastas, como saúde e segurança, impactam diretamente as atividades turísticas. “Teremos ainda construção do tão esperado aeroporto de Maragogi, que vai mudar a realidade da região. Ainda neste ano licitaremos a obra, com recursos próprios do Estado, aproximadamente R$ 100 milhões”, revelou.
Em seguida, a secretária de Turismo, Indústria e Comércio de Maragogi, Thereza Dantas, apresentou o novo portal do Município, que faz parte da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, que se estende até o litoral de Pernambuco, passando por 14 cidades. . “Se você tem um potencial, tornar isso um produto turístico não é da noite para o dia, não é simples nem tarefa simples. Exige fatores importantes, como segurança dos visitantes e a qualidade da oferta dos serviços”, citou.
O prefeito de Carmo do Paranaíba (MG), César Caetano, fechou a primeira mesa com um discurso envolvente sobre a cultura mineira e o investimento da prefeitura na educação sobre cordialidade e empreendedorismo nas escolas municipais e na área rural. “Qual turista não quer ser recebido com um sorriso no rosto? O mineiro não recebe visita na sala, mas na cozinha. Então resolvemos valorizar o que temos de melhor, a hospitalidade e a culinária”, justificou.
O II Seminário Nacional de Governança para o Turismo: desenvolvimento sustentável nos Municípios é realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em parceria com a prefeitura de Maragogi e a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM). Ele ocorre de 10 a 12 de outubro com o tema Turismo em Unidades de Conservação.
Confira as apresentações do diretor do ICMBio, Marcos Venâncio; da secretária de Maragogi Thereza Dantas; do prefeito César Caetano; e do economista Valtuir Nunes.
Acesse a galeria de fotos do primeiro dia.
Por Amanda Maia
Fotos: Amanda Maia/Ag. CNM
Da Agência CNM de Notícias
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