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10/07/2017
Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, é reconhecido Patrimônio Cultural da Humanidade
Marco da herança africana no Rio de Janeiro, o Cais do Valongo agora é Patrimônio da Humanidade. A avaliação do sítio arqueológico foi feita pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco durante sua 41ª reunião anual. O encontro ocorreu na cidade de Cracóvia, localizada na Polônia, e segue até o dia 12 de julho.
Em mais de 300 anos, o Brasil recebeu cerca de quatro milhões de escravos, número que equivale a quase metade de todos os africanos que chegaram vivos na América entre os séculos XVI e XVIII. Desse total, aproximadamente 2,4 milhões entraram no país pelo Rio de Janeiro, sendo que um milhão deles pelo Cais do Valongo.
O local foi inaugurado em 1811 e serviu como principal ponto de desembarque de escravos africanos em toda a América. Em 1911, o cais foi aterrado, mas redescoberto 100 anos mais tarde, durante as obras para a Olimpíada do Rio.
Arqueólogos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) estão fazendo o levantamento dos, aproximadamente, 500 mil itens que foram encontrados nos locais durante as intervenções. As peças, que incluem adornos, objetos, amuletos e ossadas, estão na Vila Olímpica da Gamboa.
O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo é considerado o mais importante vestígio material, fora da África, do tráfico atlântico de africanos escravizados, expressando material e simbolicamente um local que representa um registro da ação criminosa contra a humanidade.
Neste ano, 26 locais foram indicados à patrimônio cultural, sete à patrimônio natural e um a patrimônio mundial misto. O Brasil é detentor de 20 deles, reconhecidos pela Unesco.
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