Boas Práticas
23/08/2018
Paracatu (MG) desvenda o patrimônio imaterial da herança cultural quilombola

Hoje, 17 de agosto, é o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. Para comemorar a data, as áreas técnicas de Cultura e de Educação da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apresentaram, ao longo dessa semana, boas práticas de educação patrimonial. Foram escolhidas experiências de cada uma das cinco regiões do Brasil. São iniciativas municipais inspiradoras, que demonstram aos demais Municípios possibilidades de trabalho com a educação patrimonial. Para fechar a série, vamos conhecer a iniciativa de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais.
O Município mineiro é uma Cidade Histórica tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e reconhecida pela sua riqueza cultural tanto pelo Patrimônio Edificado como pelo Patrimônio Imaterial. O projeto A Escola vai ao Quilombo consiste em fazer com que alunos e professores possam voltar os olhares para as cinco comunidades remanescentes de quilombo da região – assim reconhecidas e legitimadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP) -, as quais são fontes vivas das raízes de Paracatu e possuem potencial turístico.
A população do Município é de predominância negra (entre 70% e 75% dos cidadãos). “A nossa história vem da história do negro, do escravo, da exploração do ciclo do ouro. Estamos indo para 219 anos de emancipação de Paracatu e percebemos que as pessoas precisavam ter uma noção maior, um entendimento maior do que tudo isso representa”, conta o secretário municipal de Cultura e Turismo, Isac Arruda.
Segundo o gestor municipalista, a questão do patrimônio histórico geralmente é vista a partir das edificações, do material, daquilo que é consolidado. “Mas como a gente lida com a questão do imaterial, do intangível? Entendemos que patrimônio é tudo aquilo que a gente elege como importante para nós e nossas vidas. E a partir daí escolhemos preservar isso. Dentro dessa perspectiva nós abordamos a questão dos quilombos”, destaca Arruda.
A partir desse olhar do patrimônio imaterial é que surge o projeto que, hoje, está na terceira edição e já revela os impactos para a comunidade. “Rapidamente percebemos como os alunos reproduzem a história por meio de redações, fotografias, desenhos, do tetro e da dança. Na vida dos pais e familiares, percebemos o aprendizado quando eles apoiam os filhos incentivando a participação nos eventos propostos pela escola. Na comunidade como um todo, esse impacto gera movimentação do comércio, e a mobilização da comunidade para assistir as apresentações, sejam nos bairros ou no Núcleo Histórico”, alegra-se o secretário Arruda.
A iniciativa conta com o apoio das secretarias municipais de Cultura e Turismo, e de Educação, da Fundação Municipal Casa de Cultura, da Câmara Municipal de Paracatu, e da Universidade Federal de Uberlândia. Também tem a colaboração de empresários da cidade, historiadores, arquitetos, professores, condutores turísticos e voluntários.
O projeto A Escola vai ao Quilombo e outras questões relacionadas ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico podem ser vistas no Bate-papo com a CNM sobre Educação Patrimonial que foi ao ar pela TV Portal CNM.
Por: Luiz Philipe Leite
Foto: Prefeitura de Paracatu (MG)
Da Agência CNM de Notícias
Saiba Mais
Vereadores Mirins de Joinville (SC) aprendem sobre patrimônio cultural